Depressão E Seu Tratamento

-Texto de caráter meramente informativo-

Daniel Demetrio Magalhães é estudante de Medicina da UFV-MG.

Todos na vida passam por momentos de felicidade e de tristeza. Esses momentos podem ser em graus variados. Podemos ficar ligeiramente felizes só de observar uma paisagem, ou completamente eufóricos quando sai o resultado daquela aprovação tão esperada no vestibular. Podemos ficar um pouco tristes quando percebemos que perdemos as chaves da casa, ou num luto extremo quando perdemos nossos pais.

A vida é feita de seus vales e picos, necessariamente. Mas, há um aspecto importante a ser observado: no geral, estamos sempre em equilíbrio com essas emoções. A maior parte do tempo, estamos neutros, num sentido bom. Não estamos no sentindo mal, mas também não estamos eufóricos. Os momentos de extremos, tristezas e felicidades, geralmente duram dias, no máximo algumas semanas, então nós abstraímos estes momentos e seguimos em frente, voltando a um estado normal de humor.

Mas, é possível que algum evento seja tão adverso, que o extremo ultrapassa a linha do temporário e se torne um humor mais persistente. Isso é relacionado a personalidade da pessoa, a sua predisposição genética para isso, e ao tal evento adverso.

Quando um momento triste deixa de ser um momento e passa se tornar semanas, meses, de desânimo, tristeza, solidão, apatia, acontece o que chamamos de Depressão. Basicamente, o corpo e a mente da pessoa estão incapacitados de retornarem ao estado de equilíbrio normal do humor. O indivíduo não está conseguindo abstrair o momento de dificuldade ou tristeza, seja este por ser um evento muito severo, seja porque há uma herança familiar para isso, seja porque o indivíduo tem traços de personalidade que favorecem isso.

A Depressão é, por isso, uma doença psiquiátrica, pois é uma manifestação anormal do humor, com consequências graves na vida do indivíduo. Ele se sente aprisionado, apático. Irritável, choroso. Não quer comer nada, ou come demais. Emagrece ou engorda horrores. Dorme, mas acorda no meio da noite e não dorme de novo. Ou nem consegue dormir. Perde o interesse em fazer até as coisas que mais gosta. E, conforme esses sentimentos e comportamentos avançam, mais a desesperança aparece, e a pessoa deseja a morte e o suicídio.

São 322 milhões de pessoas que sofrem com a doença mais incapacitante do mundo, segundo a OMS. Sim, a Depressão é a doença mais incapacitante do mundo, que mais tira as pessoas dos seus empregos, da vida produtiva, das universidades. E o Brasil é o país com mais diagnósticos de Depressão na América Latina. Infelizmente.

Mas, como doença, há tratamento. Assim como há insulina para diabetes, captopril para pressão alta, antibiótico para infecções, há um tratamento proposto para a Depressão, e constitui de dois pilares: a psicoterapia e a farmacoterapia.

Sou estudante de Medicina, e não domino a psicoterapia. Mas muitos estudos mostram que a Terapia Cognitiva Comportamental tem um ótimo resultado com os pacientes. Minha experiência de quem faz TCC há um ano: você aprende a verbalizar o que você está sentindo, aprende a aceitar isso, e aprende a se propor novos comportamentos para melhorar seu bem-estar. É realmente muito boa. Mas existem diversas outras formas de terapia, e aquela que o paciente mais der certo, ele tem que aderir.

E ai cheguei no polêmico tópico da farmacoterapia. Porque é cheio de mitos e tabus. Mas vamos lá. Primeiramente, os remédios antidepressivos não se propõem a CURAR a Depressão. Assim como a insulina não visa curar a Diabetes, nem o captopril curar a pressão alta. Depressão é uma doença com curso crônico, como Diabetes e pressão alta. Mas a insulina não deixa a glicose subir para ela não destruir o corpo, o captopril não deixa a pressão subir para dar AVC, e os antidepressivos amenizam os sentimentos e pensamentos de apatia para que a pessoa tenha mais força para lutar contra a doença e ganhar mais capacidade funcional no seu dia a dia.

“Ah, mas se tomar uma vez, vai ficar dependente a vida toda”. Calma lá. A Depressão tem um curso crônico sim, mas ela costuma ter uma alta porcentagem de melhora depois de 1 ano, segundo o DSM V, o Manual de Diagnóstico em Psiquiatria da Sociedade Americana de Psiquiatria. Isso significa que (olha que legal), diferente da insulina e do captopril, esses sim que você fica dependente a vida toda, você quando melhorar, vai parar de tomar o remédio. Simples. Antidepressivo não vicia. Ele é um remédio que trata sintomas. Existem até remédios que viciam (Rivotril é um exemplo e, diga-se de passagem, não é antidepressivo), mas os antidepressivos, não.

Então, porque as pessoas não ligam de ficarem dependentes de captopril e insulina, mas ligam de ficar dependente de antidepressivo? Porque elas ainda não entendem que a Depressão é uma doença, com CID-10 e tudo, assim como Diabetes e pressão alta. Elas acham que é fraqueza, que é momento, que a pessoa tem que aprender a lidar com o que está acontecendo.

Sim, ela tem que aprender a lidar. Mas num estado doente de humor, isso é quase impossível. Dessa forma, um bom psicólogo vai nortear o paciente depressivo para refletir sobre sua vida e seus sentimentos, traçando um plano de terapia para ele. E os remédios vão devolver ao paciente um pouco da sua vitalidade, para que ele tenha força para acompanhar a terapia psicológica e resista a essa fase.

Não deixe sua vida se desfazer por causa da Depressão. Se sentir mal o tempo todo NÃO É NORMAL. Procure seus pais, amigos, e principalmente, seu MÉDICO e PSICÓLOGO.

 

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