A Ressurreição Nerd

Mary Shelley

Foi uma escritora inglesa, nascida em 1797 e morta em 1851.

Poderia passar despercebido este fato se não fosse ela a criadora da história de Frankenstein.

Por que escrever isso?

Porque nesse momento as pessoas questionam sobre uma possibilidade de prolongar a vida, um não morrer.

A Imortalidade

As religiões, pelo menos a maioria delas, preconiza um ser que não teve início e não terá fim. 

Essa é a eternidade.

Quanto a nós, seres criados, apenas viveremos para sempre.

Mas devemos tomar cuidado com esse viver para sempre, do modo que queremos.

Na verdade queremos uma eternidade biológica.

Éritras

Era uma das sibilas, sacerdotisas de Apolo. 

Apolo se apaixonou por ela e prometeu que daria tudo o que quisesse. Éritras pediu a eternidade.

Enquanto ainda estava com Apolo tudo corria bem até que, ela passou a rejeitá-lo. A eternidade foi mantida, mas ela esqueceu de pedir a juventude eterna.

Segundo a mitologia, Éritras viveu 9 vidas de 110 anos cada uma e, quando já velha e encarquilhada, era perguntada o que ela mais desejava. A resposta era: “quero morrer”.

O Ocidente e a Morte 

O mais estranho em toda essa história de morrer acontece no ocidente.

Recebemos o ensinamento judaico-cristão de que a morte é apenas uma passagem para o viver para sempre.

Os cristãos primitivos ansiavam pela morte para poder rever o Salvador, Jesus Cristo.

Mas no fundo, bem lá no fundo, ninguém quer passar por essa fase e, como não é um videogame, onde se pode pular ou simplesmente ignorá-la, esse momento torna-se um tormento, uma incerteza e um futuro angustiante para muitas pessoas.

Na Índia não funciona deste modo. O corpo do falecido se homem, é barbeado, se mulher é penteada, mas ambos são vestidos com roupas finas como se fossem a uma festa. É um momento de festa.

Transhumanos

Estudos recentes chegaram à conclusão que nos últimos 100 anos de evolução da medicina, a humanidade, dentro do possível acesso à saúde e alimentação, pôde chegar a 76 anos.

Já, as pessoas que nasceram no século XXI, também tendo acesso a esse mínimo, saúde e alimentação, chegará aos 120 anos.

Mas veja que ainda existe a limitação biológica. Fatalmente morreremos, mesmo que todos os recursos nos proporcionem viver 200, 300 anos. Morreremos um dia!

A não ser que… o casamento da ciência e da tecnologia nos proporcionem uma manutenção da consciência sempre que houver deterioração da nossa “casa de carbono”.

Na série norte-americana Altered Carbon isso é uma realidade. A consciência das pessoas é gravada num disco que fica na parte de trás do pescoço e implantada na vértebra, e quando a “capa” – nome dado ao corpo nessa série – se desgasta ou em outras palavras, morre, aquele disco é transferido para outro corpo e assim por diante.

Mesmo sendo ainda muito precoce e quase que ainda no âmbito filosófico, tem muitos estudos voltados a esse tema.

Já pensou nisso? Seria essa a ressurreição nerd?

luciano.cardozo

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